AMANHÃS Alguém já teria dito que o tempo é como um rio: não se detém e não se reproduz. Mais ainda, nunca se curva diante de nossas vontades. Avança, imperativo e enigmático, levando consigo nossas impressões e deixando atrás de si a multiplicidade de vestígios com que nos revestimos em nossas trajetórias. Cada experiência é uma chama com período limitado de existência. O amanhã é sempre uma promessa frágil. A vida mostra que cada passo dado requer uma renúncia, cada decisão é um corte no tecido das possibilidades. Prosseguir ou retornar são escolhas que não coexistem. Assim, o amanhã não é um espaço infinito de oportunidades, mas um horizonte que se estreita à medida que o caminho é trilhado. Cada instante vivido é único e fugaz. Por mais que se busque aprisioná-lo em imagens e versos, ele escorre silenciosamente em direção a um passado cada vez mais distante. As imagens que guardamos são como mistérios suspensos: não revelam a totalidade das circunstânc...
Doses de palavras em textos e poemas!