Os lugares parecem não envelhecer como as pessoas. Continuam ali, como testemunhas discretas, oferecendo à memória a ilusão de que o tempo pode ser perenizado. Era o que ele pensava, quando se lembrava daquele local específico. Na mesma hora marcada, do mesmo lado da rua, tempos atrás, alguns encontros haviam acontecido. Nos finais da tarde, ou nos inícios da noite, ela surgia entre as pessoas que, apressadas, voltavam para seus descansos. Surgia com o mesmo sorriso calmo, como se o mundo inteiro obedecesse à sua delicadeza, sem considerar o dia, a estação ou as circunstâncias vivenciadas ao longo das horas anteriores. Quando a via atravessando a calçada, alguma ordem invisível se restabelecia. Este era o sentimento. O relógio documentava a chegada enquanto a cidade produzia os mesmos movimentos e os mesmos conhecidos ruídos. E os dois, por alguns minutos, se deixavam levar pela suavidade da mútua presença. Eram outros tempos. Agora, permanecia apenas a mesma calçada, do me...
ECOS DE UM ENCONTRO Há encontros que se prolongam para muito além do instante em que aconteceram. São como sementes lançadas em solo fértil: mesmo invisíveis por algum tempo, seguem germinando até que a vida lhes conceda o verde das folhas, o colorido das flores e os inconfundíveis sabores dos frutos. O primeiro contato, os gestos singelos, as palavras espontâneas que foram anunciadas se fazem fundamentos daquilo que vai se consagrar como definitivo. Os ecos de um encontro se expandem em novos significados, como se cada detalhe guardasse uma promessa de próximas vezes. Esses ecos se transformam em companhia, real ou virtual, nos dias claros e, também, nos dias menos ensolarados. Convocados como elos da memória, emergem aos sentidos no feitio de lampejos de luz. São lembranças que aquecem, em especial no tempo em que até a distância insiste em manter acesa a chama da esperança. Determinados encontros não se encerram em si mesmos: prolongam-se em no...