ECOS DE UM ENCONTRO Há encontros que se prolongam para muito além do instante em que aconteceram. São como sementes lançadas em solo fértil: mesmo invisíveis por algum tempo, seguem germinando até que a vida lhes conceda o verde das folhas, o colorido das flores e os inconfundíveis sabores dos frutos. O primeiro contato, os gestos singelos, as palavras espontâneas que foram lançadas se fazem fundamentos daquilo que vai se consagrar como definitivo. Os ecos de um encontro se expandem em novos significados, como se cada detalhe guardasse uma promessa de próximas vezes. Esses ecos se transformam em companhia, real ou virtual, nos dias claros e, também, nos dias menos ensolarados. Convocados como elos da memória, emergem aos sentidos no feitio de lampejos de luz. São lembranças que aquecem, em especial no tempo em que até a distância insiste em manter acesa a chama da esperança. Determinados encontros não se encerram em si mesmos: prolongam-se em noss...
AMANHÃS Alguém já teria dito que o tempo é como um rio: não se detém e não se reproduz. Mais ainda, nunca se curva diante de nossas vontades. Avança, imperativo e enigmático, levando consigo nossas impressões e deixando atrás de si a multiplicidade de vestígios com que nos revestimos em nossas trajetórias. Cada experiência é uma chama com período limitado de realidade. O amanhã é sempre uma promessa frágil. A vida mostra que cada passo dado requer uma renúncia, cada decisão é um corte no tecido das possibilidades. Prosseguir ou retornar são escolhas que não coexistem. Assim, o amanhã não é um espaço infinito de oportunidades, mas um horizonte que se estreita à medida que o caminho é trilhado. Cada instante vivido é único e fugaz. Por mais que se busque aprisioná-lo em imagens e versos, ele escorre silenciosamente em direção a um passado cada vez mais distante. As imagens que guardamos são como mistérios suspensos: não revelam a totalidade das circunstânci...