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ECOS DE UM ENCONTRO



 



ECOS DE UM ENCONTRO

Há encontros que se prolongam para muito além do instante em que aconteceram. São como sementes lançadas em solo fértil: mesmo invisíveis por algum tempo, seguem germinando até que a vida lhes conceda o verde das folhas, o colorido das flores e os inconfundíveis sabores dos frutos.

 

O primeiro contato, os gestos singelos, as palavras espontâneas que foram lançadas se fazem fundamentos daquilo que vai se consagrar como definitivo. Os ecos de um encontro se expandem em novos significados, como se cada detalhe guardasse uma promessa de próximas vezes.

 

Esses ecos se transformam em companhia, real ou virtual, nos dias claros e, também, nos dias menos ensolarados. Convocados como elos da memória, emergem aos sentidos no feitio de lampejos de luz. São lembranças que aquecem, em especial no tempo em que até a distância insiste em manter acesa a chama da esperança.

 

Determinados encontros não se encerram em si mesmos: prolongam-se em nosso espaço, atravessam nossas estações internas e revelam que a vida não é feita apenas do que é fugaz, mas de ressonâncias resistentes ao tempo. Cada sorriso partilhado e cada silêncio compreendido são como fios invisíveis ligando duas pessoas.

 

E talvez seja essa a essência dos ecos: revelar que o que vivemos não se perde, mas se transfigura em inesperados horizontes. O encontro é acontecimento, de algum modo é permanência. É saudade convertida em expectativa, é lembrança que se abre em múltiplas possibilidades.

 

No fim, os ecos de um encontro reverberam na alma como se houvessem encontrado lugar para fazer morada e, quando necessário, serem visitados para renovar o sorriso aos lábios, recordando os encantos da vida. Também nos convidam a acreditar que o tempo não leva tudo: ele também devolve. Devolve em forma de esperança, de novos caminhos que podem se abrir em veredas que nunca se havia imaginado.

 

Assim, se compreende que a vida não se deve ser medida apenas pelo que já passou, mas pelo que continua a repercutir dentro de nós como uma suave canção anunciando que ainda haverá muito a experimentar, em futuros reencontros, quando e onde eles puderem se tornar realidade.


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