Há encontros que se prolongam para muito além do instante em
que aconteceram. São como sementes lançadas em solo fértil: mesmo invisíveis
por algum tempo, seguem germinando até que a vida lhes conceda o verde das
folhas, o colorido das flores e os inconfundíveis sabores dos frutos.
O primeiro contato, os gestos singelos, as palavras espontâneas
que foram anunciadas se fazem fundamentos daquilo que vai se consagrar como
definitivo. Os ecos de um encontro se expandem em novos significados, como se
cada detalhe guardasse uma promessa de próximas vezes.
Esses ecos se transformam em companhia, real ou virtual, nos
dias claros e, também, nos dias menos ensolarados. Convocados como elos da
memória, emergem aos sentidos no feitio de lampejos de luz. São lembranças que
aquecem, em especial no tempo em que até a distância insiste em manter acesa a chama
da esperança.
Determinados encontros não se encerram em si mesmos:
prolongam-se em nosso espaço, atravessam nossas estações internas e revelam que
a vida não é feita apenas do que é fugaz, mas de ressonâncias resistentes ao
tempo. Cada sorriso partilhado e cada silêncio compreendido são como fios invisíveis
ligando duas pessoas.
E talvez seja essa a essência dos ecos: revelar que o que
vivemos não se perde, mas se transfigura em inesperados horizontes. O encontro
é acontecimento, de algum modo é permanência. É saudade convertida em
expectativa, é lembrança que se abre em múltiplas possibilidades.
No fim, os ecos de um encontro reverberam na alma como se houvessem
encontrado lugar para fazer morada e, quando necessário, serem visitados para renovar
o sorriso aos lábios, recordando os encantos da vida. Também nos convidam a
acreditar que o tempo não leva tudo: ele também devolve. Devolve em forma de
esperança, de novos caminhos que podem se abrir em veredas que nunca se havia
imaginado.
Assim, se compreende que a vida não deve ser medida apenas
pelo que já passou, mas pelo que continua a repercutir dentro de nós como uma
suave canção anunciando que ainda haverá muito a experimentar, em futuros reencontros,
quando e onde eles puderem se tornar realidade.
"Assim, se compreende que a vida não se deve ser medida apenas pelo que já passou, mas pelo que continua a repercutir dentro de nós como uma suave canção anunciando que ainda haverá muito a experimentar, em futuros reencontros, quando e onde eles puderem se tornar realidade."
ResponderExcluirPerfeito!!! A possibilidade de reencontrar é o que nos move!
Professor, seu texto me fez pensar no encontro da nossa turma de graduação na EESC. Os ecos daquele período permanecem até hoje, presentes em nossas profissões, histórias e lembranças.
ResponderExcluirAté logo, no reencontro da confraternização no Anfiteatro da EESC, nos 25 anos da Turma da Civil 2001.
Suas palavras nos fez lembrar do nosso encontro que a vida nos proporcionou e se cruzou de uma forma abençoadora. .Se for da vontade de Deus até o próximo 🙏🏻
ResponderExcluir"Os ecos de um encontro reverberam na alma como se houvessem encontrado lugar para fazer morada e, quando necessário, serem visitados para renovar o sorriso aos lábios, recordando os encantos da vida".
ResponderExcluirCaríssimo, obrigado por compartilhar tanta sabedoria organizada em Ecos. Um grande abraço!
Que texto bonito e sensível, professor! Os “ecos” mostram a força daqueles encontros que permanecem em nós mesmo quando o momento já passou. Uma bela reflexão sobre memória, saudade, esperança e a possibilidade dos reencontros.
ResponderExcluirTexto fantástico que me inspira e me faz meditar e refletir sobre muitos encontros da vida...
ResponderExcluirMais um texto exemplar meu caro Prof. Rocco. Que prazer ler suas palavras ! tão bem articuladas e com tanta sensibilidade e conteúdo ! Parabéns e Obrigado !
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ResponderExcluirChico. Se me permite, transcrevo uma parte de um poema seu, que reflete, pra mim, os "Ecos de um encontro".
ExcluirAssim será quando, cessada a distância,
Os olhos brilharem como se sempre
Estivessem nos lugares da paz
Que um dia imaginamos permanentes.
E no azul de uma tarde de outono
Renovaremos na emoção do reencontro,
Dos abraços guardados e aguardados.
E a canção se fará de novo
Como nunca tivesse ficado em silêncio.
Abraço
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