Alguém já teria dito que o tempo é como um rio: não se detém e
não se reproduz. Mais ainda, nunca se curva diante de nossas vontades.
Avança, imperativo e enigmático, levando consigo nossas
impressões e deixando atrás de si a multiplicidade de vestígios com que nos
revestimos em nossas trajetórias.
Cada experiência é uma chama com período limitado de realidade. O amanhã é sempre uma promessa frágil. A vida mostra que cada passo
dado requer uma renúncia, cada decisão é um corte no tecido das possibilidades.
Prosseguir ou retornar são escolhas que não coexistem. Assim,
o amanhã não é um espaço infinito de oportunidades, mas um horizonte que se
estreita à medida que o caminho é trilhado.
Cada instante vivido é único e fugaz. Por mais que se busque aprisioná-lo
em imagens e versos, ele escorre silenciosamente em direção a um passado cada
vez mais distante.
As imagens que guardamos são como mistérios suspensos: não
revelam a totalidade das circunstâncias, apenas insinuam: o sorriso que se negou,
o ímpeto que não se conteve, a lágrima que pode ter sido de alegria ou saudade.
Os versos, por sua vez, são sementes lançadas ao vento. Talvez
encontrem pouso em um coração acolhedor, talvez se dissolvam no esquecimento.
O amanhã traz em sua urgência a sugestão de viver o hoje com
intensidade, pois cada escolha é definitiva, cada gesto é irrepetível e não
haverá infinitos horizontes à espera.
Assim, entre imagens e versos, se apreende que a plenitude da
vida não é contada pelo tempo que se acumulou em nossas veredas, mas na
profundidade com que habitamos o agora e seus encantos.
Talvez seja essa uma conveniente definição de finitude, e é por
meio dela que nos percebemos capazes de amar, de recordar, de escrever e
reescrever histórias, como quem sabe que cada palavra pode ser também um adeus,
mas que cada adeus pode ser também aceno para uma nova chegada.

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