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AMANHÃS

 




AMANHÃS

Alguém já teria dito que o tempo é como um rio: não se detém e não se reproduz. Mais ainda, nunca se curva diante de nossas vontades.

Avança, imperativo e enigmático, levando consigo nossas impressões e deixando atrás de si a multiplicidade de vestígios com que nos revestimos em nossas trajetórias.

Cada experiência é uma chama com período limitado de realidade. O amanhã é sempre uma promessa frágil. A vida mostra que cada passo dado requer uma renúncia, cada decisão é um corte na amplitude das possibilidades.

 

Prosseguir ou retornar são escolhas que não coexistem. Assim, o amanhã não é um espaço infinito de oportunidades, mas um horizonte que se estreita à medida que o caminho é trilhado.

 

Cada instante vivido é único e fugaz. Por mais que se busque aprisioná-lo em imagens e versos, ele escorre silenciosamente em direção a um passado cada vez mais distante.

 

As imagens que guardamos são como mistérios suspensos: não revelam a totalidade das circunstâncias, apenas insinuam: o sorriso que se negou, o ímpeto que não se conteve, a lágrima que pode ter sido de alegria ou saudade.

 

Os versos, por sua vez, são sementes lançadas ao vento. Talvez encontrem pouso em um coração acolhedor, talvez se dissolvam no esquecimento.

 

O amanhã traz em sua urgência a sugestão de viver o hoje com intensidade, pois cada escolha é definitiva, cada gesto é irrepetível e não haverá infinitos horizontes à espera.

 

Assim, entre imagens e versos, se apreende que a plenitude da vida não é contada pelo tempo que se acumulou em nossas veredas, mas na profundidade com que habitamos o agora e seus encantos.

 

Talvez seja essa uma conveniente definição de finitude, e é por meio dela que nos percebemos capazes de amar, de recordar, de escrever e reescrever histórias, como quem sabe que cada palavra pode ser também um adeus, mas que cada adeus pode ser também aceno para uma nova chegada.

Comentários

  1. Um texto muito sensível que nos convida a olhar para o tempo e para a finitude com mais consciência. Nos lembra que cada escolha que fazemos fecha algumas possibilidades, mas também abrem novos caminhos. A leitura permanece na mente e, sobretudo, no coração!

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  2. Um texto que verdadeiramente me tocou... Talvez porque nos faça lembrar de algo tão simples, mas que tantas vezes esquecemos: o passado já não nos pertence e o amanhã é apenas uma promessa. O que realmente temos é o agora...
    E talvez seja justamente por isso que devamos vivê-lo com intensidade, amor, respeito, honestidade e verdade, conscientes de que nossas escolhas deixam marcas e ajudam a construir os amanhãs que ainda teremos a oportunidade de viver.
    Uma reflexão belíssima sobre o tempo, a finitude e, sobretudo, sobre a responsabilidade e a beleza de estar verdadeiramente presente na vida...

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  3. Um testo (poema) que me faz refletir ... Mas acima de tudo escrito com a caneta da alma...

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