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Mostrando postagens de novembro, 2026

DO MESMO LADO DA RUA

  Os lugares parecem não envelhecer como as pessoas. Continuam ali, como testemunhas discretas, oferecendo à memória a ilusão de que o tempo pode ser perenizado. Era o que ele pensava, quando se lembrava daquele local específico. Na mesma hora marcada, do mesmo lado da rua, tempos atrás, alguns encontros haviam acontecido. Nos finais da tarde, ou nos inícios da noite, ela surgia entre as pessoas que, apressadas, voltavam para seus descansos. Surgia com o mesmo sorriso calmo, como se o mundo inteiro obedecesse à sua delicadeza, sem considerar o dia, a estação ou as circunstâncias vivenciadas ao longo das horas anteriores. Quando a via atravessando a calçada, alguma ordem invisível se restabelecia. Este era o sentimento. O relógio documentava a chegada enquanto a cidade produzia os mesmos movimentos e os mesmos conhecidos ruídos. E os dois, por alguns minutos, se deixavam levar pela suavidade da mútua presença. Eram outros tempos. Agora, permanecia apenas a mesma calçada, do me...