Pular para o conteúdo principal

RESPOSTA - Maria Cristina

Faz quase 30 anos daquela noite fatídica. Numa das CENTENAS de discussões que já tivemos nessa vida, papai (o Chico – o outro autor desse blog) me fez uma pergunta. Eu só tinha quatro anos, mas nunca esqueci nem nunca esquecerei aquela perturbadora questão.

Prometi pra esse meu "velho" pai que colaboraria com pequenas histórias, caso ele se dispusesse a criar, e alimentar, um blog. Hoje esse blog nasceu e achei que não haveria nada mais apropriado pra esta primeira contribuição que a resposta à pergunta feita há três décadas:
"O que você espera da vida?"

Enfim, foi essa resposta que consegui elaborar:

Espero dias claros e quentes;

Espero ter curiosidade pra descobrir o que existe atrás da montanha;

Espero ir... e ter sempre pra onde e, principalmente, pra quem voltar;

Espero goiabas maduras, mangas coquinho,  melancias inteiras;

Espero que uvas doces se  transformem em deliciosos Carménères, sempre em boa companhia;

Espero as bolachinhas de maisena da vó Julia, o pão sem casca da vó Lourdes (e o entusiasmo do vô Gineu);

Espero correr nos parques, nadar no mar, dançar no espelho;

Espero por belas histórias,  por bons livros,  por filmes melosos e por conversas bobas;

Espero uma adorável e linda companhia para as coisas de menina - que me acompanhe o tempo que for possível;

Espero por bolos de aniversário em formato de guarda chuva;

Espero passar uma manhã na cama tomando chá e comendo chocolate;
(Espero não ter que esperar tanto...)

Espero jamais perder o sorriso, a esperança e os valores, mas... quem sabe, em algum momento perder o juízo (pra ter histórias pra contar pros meus netos);

Espero ter poucos e bons amigos;

Espero aprender... e espero ensinar;

Espero sossego, presença, intensidade e paixão;

Espero um céu;

Espero um pouco do mundo cor de rosa da mamãe e algum jeito com as palavras do papai;

Espero uma taça de espumante rosé para comemorar seja lá o que for;

Espero ter algum dinheiro no bolso ou no banco, mas nunca deixar que ele tome conta do meu coração e do meu pensamento;

Espero que o trabalho seja agradável - pra eu nunca ter que trabalhar;

Espero, finalmente,  que minha vida seja longa e feliz, que eu possa reproduzir meus genes e alongar, indiretamente, meus dias nessa terra.

Comentários

  1. A melhor resposta com toda certeza. Muito lindo, parabéns

    ResponderExcluir
  2. Eu espero poder continuar lendo o que você escreve Profa. Maria Cristina... A cada frase uma pintura se cria em minha imaginação.... adorei o bolo em formato de guarda chuva.

    ResponderExcluir
  3. Era um bolo bem bom! Eu sempre queria comer o pedaço do cabo, que era de chocolate e coberto de brigadeiro. DELICIOSO!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O QUE CABE NUM ABRAÇO

  O QUE CABE NUM ABRAÇO? Em tempos festivos, como os vivenciados nos finais de ano, buscamos gestos que expressem mais do que palavras. O abraço é um desse gestos. Embora simples, carrega uma complexidade emocional desafiando explicações racionais. Um abraço pode ser saudação, despedida, sensação de pertencimento, consolo, celebração — ou tudo isso ao mesmo tempo. Cabe num abraço o reencontro depois da longa espera. Cabe o perdão ainda não verbalizado, mas que já encontrou em nós permanente abrigo. Cabe o silêncio emocionado de dois corações que não necessitam de palavras para se entender. Cabe a alegria espontânea, o choro contido, a saudade que passa pela resignação e, sublimada, se acomoda. Há abraços que curam, dizendo “estou aqui” quando o mundo se mostra distante aos olhares exaustos. Há abraços que sustentam as esperanças quando a alma parece se esconder em seus medos e apreensões. Há abraços que não pedem explicações: apenas acolhem sem julgamento e oferecem o apreço ...

DIAS NUBLADOS TAMBÉM REVELAM SEUS ENCANTOS

  Dias nublados também revelam seus encantos A saudação ao novo dia costuma vir com o sol. Mas há manhãs em que o céu se mostra encoberto e a luz se espalha tímida, quase resignada. O tempo parece suspenso entre o silêncio e a espera. Muitos associam esses momentos à melancolia. No entanto, os dias nublados possuem uma beleza discreta, que se comunica em sussurros. São convites ao recolhimento: a pressa desacelera, a inquietação se dissolve, e o olhar se volta para dentro. Como plantas que florescem à sombra, a introspecção ganha espaço. O céu encoberto ensina que nem tudo precisa ser claro para ser compreendido. Há poesia nas nuances da neblina. E há muitos aspectos que o sol esconde: o verde das árvores se aprofunda, o cheiro da terra se intensifica. O orvalho cumpre suas promessas de renovação, pausa e abrigo. Na vida, também se vivenciam dias nublados — momentos em que o ânimo se esconde atrás de nuvens internas e os caminhos parecem incertos. Mas, permanecem no ar os v...

OLHARES

  OLHARES Olhares são flechas precisas que atravessam distâncias, elucidam segredos e estabelecem conexões. Podem revelar afeto, inquietude, admiração. É no cruzar de olhares que muitas histórias começam e emoções florescem: olhar é mais do que observar; é perceber, compreender e sentir. Olhares requerem reciprocidade para se tornarem poemas de vida.   Olhares que acolhem são espelhos do infinito que habita A singeleza de momentos que palavras não descrevem; Olhares que abrigam a doçura de confissões já declaradas São gestos que transformam dias comuns em celebrações. Olhares generosos enxergam além da superfície, E elaboram pontes substituindo abismos. Olhares generosos são rios que fluem sem cessar, Envolvem o mundo, prontos a entender o que é invisível, E a vivenciar o que se exprime na simplicidade de um gesto.   Olhares generosos não julgam, mas compreendem com a alma, São como a ternura silenciosa que se concede, sem pedir nada em troca.