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UMA PEQUENA HISTÓRIA A RESPEITO DE PALAVRAS E SILÊNCIOS

 


Franco e Tom, amigos de longa data, mantinham constantes diálogos, caracterizados pelas suas personalidades opostas e posições complementares a respeito de diversos temas.

Tom era extrovertido e direto quando se manifestava, suas palavras dificilmente deixavam dúvidas. Franco era mais ouvinte, falava com ponderação e, algumas vezes – apenas algumas – conduzia o amigo a refletir sobre determinadas declarações. Mas não se lembrava de qualquer ocasião em que seus argumentos levaram o amigo a mudar de ideia.

Tom vivia com Simone há vários anos, partilhavam de opiniões análogas e administravam com sucesso suas atividades profissionais. Para ela, sobravam elogios a cada conversa com Franco.

- “Ela é muito criativa!”, ao se referir às soluções práticas adotadas diante das situações cotidianas.

- “Ela é muito determinada!”, expressava Tom ao comentar a disposição de Simone para superar as circunstâncias em que seus objetivos pareciam se afastar da viabilidade do momento.

- “Ela é muito inteligente!”, eram os termos que usava para mencionar a facilidade com que transformava o raciocínio em ações.

- “Ela é linda!” E acrescentava:

- “Ainda mais quando usa seus cosméticos para destacar a cor dos olhos, os traços do rosto, seu inconfundível sorriso e as luzes nos cabelos...”

- “Ela é muito simpática!”

- “Ela é incrível!”

E assim enaltecia sua companheira, quer ela estivesse presente, quer nas conversas reservadas com Franco. E Simone se agradava disso.

Um dia, Tom causou estranheza a seu amigo e confidente quando anunciou estar considerando seriamente voltar a viver sozinho.

- “Mas você vive elogiando a Simone, sempre tem um modo especial de destacar seus inúmeros pontos positivos!”, ponderou Franco.

A réplica veio de imediato:

- “Mas Simone nunca disse que eu sou o homem da vida dela!”

Diante da incisiva clareza das expressões de Tom, Franco entendeu que era hora de se calar.

Deixaria para outro momento uma pergunta para a reflexão do amigo:

“E você, Tom, alguma vez disse à Simone que ela era a mulher de sua vida?”

 

 

Comentários


  1. Mestre Rocco. Como é Bom ler seus textos. Muito bonito, com pergunta para reflexão. Grande abraço.

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  2. Ilustríssimo prof. Rocco. Vamos refletir sobre isso! a moeda tem dois lados!

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