Pular para o conteúdo principal

UMA NOVA PRIMAVERA - Chico


Quando as pétalas de todas as flores despencam, permanece a impressão de uma invertida primavera. Com as pétalas caídas, os sorrisos são menos luminosos e sintomas de angústia podem acompanhar as sombrias horas da tarde.

Alguma perplexidade poderá estar ao lado e as emoções serão proclamadas apenas como sussurros aos ventos crepusculares. Negligenciados, os sentimentos vão deslizar pelos dedos, esvaziando as mãos. E os lábios se calarão.

O cenário mais comum mistura os últimos raios de luz com a inquietude da penumbra, o que trará consigo feições de pressa e intransigência. Alguém abreviará propósitos e condensará declarações; mensagens serão postergadas e, de certo modo, um tanto de vida será adiado.

O que é fugaz se apresentará com ares de definitivo, até que se levante uma nova primavera e as flores renovem suas pétalas, acionando de novo os sintomas de sua vitalidade.

Assim, será possível dizer adeus à angústia e aos crepúsculos sumários. Será, outra vez, o tempo de as mãos se encherem de gestos, os lábios de palavras, as emoções de intensidade.

A aurora reconstruída conduzirá, então, os dias pelos caminhos da luz.





Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OLHARES

  OLHARES Olhares são flechas precisas que atravessam distâncias, elucidam segredos e estabelecem conexões. Podem revelar afeto, inquietude, admiração. É no cruzar de olhares que muitas histórias começam e emoções florescem: olhar é mais do que observar; é perceber, compreender e sentir. Olhares requerem reciprocidade para se tornarem poemas de vida.   Olhares que acolhem são espelhos do infinito que habita A singeleza de momentos que palavras não descrevem; Olhares que abrigam a doçura de confissões já declaradas São gestos que transformam dias comuns em celebrações. Olhares generosos enxergam além da superfície, E elaboram pontes substituindo abismos. Olhares generosos são rios que fluem sem cessar, Envolvem o mundo, prontos a entender o que é invisível, E a vivenciar o que se exprime na simplicidade de um gesto.   Olhares generosos não julgam, mas compreendem com a alma, São como a ternura silenciosa que se concede, sem pedir nada em troca.

UM CAFÉ COM BOLACHINHAS DE NATA E A COMPANHIA ESSENCIAL

  UM CAFÉ COM BOLACHINHAS DE NATA E A COMPANHIA ESSENCIAL A vida tem lá seus caprichos. Alguns destes caprichos são vivenciados quando a simplicidade se torna a real essência dos momentos felizes. Existiria algo mais singelo do que uma xícara de café bem quente acompanhada de deliciosas bolachinhas de nata, saboreadas na mesa daquela padaria tradicional, cuidadosamente escolhida, num conhecido recanto da cidade? Entretanto, a simplicidade somente se completa com a presença da companhia essencial, aquela que configura a singeleza dos momentos transformados em memoráveis celebrações. O ritual de saborear uma xícara de café precisa se estender com o experimentar de seu aroma envolvente que desperta aos sentidos os elementos recordados de aconchego e bem-estar. Cada gole sorvido é uma pausa no tempo, um momento para refletir e relaxar. As bolachinhas de nata, com sua textura delicada, são ao mesmo tempo protagonistas e coadjuvantes dessas experiências únicas e recorrentes. ...

O QUE CABE NUM ABRAÇO

  O QUE CABE NUM ABRAÇO? Em tempos festivos, como os vivenciados nos finais de ano, buscamos gestos que expressem mais do que palavras. O abraço é um desse gestos. Embora simples, carrega uma complexidade emocional desafiando explicações racionais. Um abraço pode ser saudação, despedida, sensação de pertencimento, consolo, celebração — ou tudo isso ao mesmo tempo. Cabe num abraço o reencontro depois da longa espera. Cabe o perdão ainda não verbalizado, mas que já encontrou em nós permanente abrigo. Cabe o silêncio emocionado de dois corações que não necessitam de palavras para se entender. Cabe a alegria espontânea, o choro contido, a saudade que passa pela resignação e, sublimada, se acomoda. Há abraços que curam, dizendo “estou aqui” quando o mundo se mostra distante aos olhares exaustos. Há abraços que sustentam as esperanças quando a alma parece se esconder em seus medos e apreensões. Há abraços que não pedem explicações: apenas acolhem sem julgamento e oferecem o apreço ...