Pular para o conteúdo principal

CENÁRIOS INTERIORANOS - Chico


Não sei se existe algum cenário que me encante mais que a imagem de algumas pequenas cidades interioranas, do Brasil ou de qualquer outra parte do mundo. Suas ruas poucas, arrumadas como recomenda a cultura local, serpenteiam pelos atalhos rumo às montanhas próximas ou se misturam às planícies ao redor.
Pequenas cidades que abrigam pessoas simples e prudentes, altivas e nostálgicas, pessoas que aparentam guardar em si mesmas todos os segredos do mundo, decifrados por uma experiência - em maior ou menor intensidade - de sofrimento, escassez e conquista.
Pessoas que sublimaram as partidas dos amigos e das amantes, e precisam acalentar a si mesmos na solidão de semanas, meses e anos, nas pequenas cidades com suas casas sequenciais, cúmplices do tempo, casas que se fazem abrigo e lenda.
Numa atmosfera de permanência, muitos talvez se envaideçam com sua sabedoria e sua determinação, outros parecem querer perpetuar a felicidade não adjetivável que imaginam acompanhá-los desde a infância e a adolescência.
Para aqueles que se fazem observadores, como é o meu caso, não adiantaria pretender vivenciar o cenário projetado. O encanto está na magia e no mistério do ser cenário. Visitantes eventuais não fazem parte da trama, podem apenas presumir. Nada mais.
Cada um cumpre seu papel na realidade de seu próprio espaço: nele é preciso descobrir o encanto da vida. Porém, isto é algo que nem todos conseguem. Então, com certa frequência, alguns costumam chegar às lágrimas, como forma visível de resignação.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OLHARES

  OLHARES Olhares são flechas precisas que atravessam distâncias, elucidam segredos e estabelecem conexões. Podem revelar afeto, inquietude, admiração. É no cruzar de olhares que muitas histórias começam e emoções florescem: olhar é mais do que observar; é perceber, compreender e sentir. Olhares requerem reciprocidade para se tornarem poemas de vida.   Olhares que acolhem são espelhos do infinito que habita A singeleza de momentos que palavras não descrevem; Olhares que abrigam a doçura de confissões já declaradas São gestos que transformam dias comuns em celebrações. Olhares generosos enxergam além da superfície, E elaboram pontes substituindo abismos. Olhares generosos são rios que fluem sem cessar, Envolvem o mundo, prontos a entender o que é invisível, E a vivenciar o que se exprime na simplicidade de um gesto.   Olhares generosos não julgam, mas compreendem com a alma, São como a ternura silenciosa que se concede, sem pedir nada em troca.

UM CAFÉ COM BOLACHINHAS DE NATA E A COMPANHIA ESSENCIAL

  UM CAFÉ COM BOLACHINHAS DE NATA E A COMPANHIA ESSENCIAL A vida tem lá seus caprichos. Alguns destes caprichos são vivenciados quando a simplicidade se torna a real essência dos momentos felizes. Existiria algo mais singelo do que uma xícara de café bem quente acompanhada de deliciosas bolachinhas de nata, saboreadas na mesa daquela padaria tradicional, cuidadosamente escolhida, num conhecido recanto da cidade? Entretanto, a simplicidade somente se completa com a presença da companhia essencial, aquela que configura a singeleza dos momentos transformados em memoráveis celebrações. O ritual de saborear uma xícara de café precisa se estender com o experimentar de seu aroma envolvente que desperta aos sentidos os elementos recordados de aconchego e bem-estar. Cada gole sorvido é uma pausa no tempo, um momento para refletir e relaxar. As bolachinhas de nata, com sua textura delicada, são ao mesmo tempo protagonistas e coadjuvantes dessas experiências únicas e recorrentes. ...

O QUE CABE NUM ABRAÇO

  O QUE CABE NUM ABRAÇO? Em tempos festivos, como os vivenciados nos finais de ano, buscamos gestos que expressem mais do que palavras. O abraço é um desse gestos. Embora simples, carrega uma complexidade emocional desafiando explicações racionais. Um abraço pode ser saudação, despedida, sensação de pertencimento, consolo, celebração — ou tudo isso ao mesmo tempo. Cabe num abraço o reencontro depois da longa espera. Cabe o perdão ainda não verbalizado, mas que já encontrou em nós permanente abrigo. Cabe o silêncio emocionado de dois corações que não necessitam de palavras para se entender. Cabe a alegria espontânea, o choro contido, a saudade que passa pela resignação e, sublimada, se acomoda. Há abraços que curam, dizendo “estou aqui” quando o mundo se mostra distante aos olhares exaustos. Há abraços que sustentam as esperanças quando a alma parece se esconder em seus medos e apreensões. Há abraços que não pedem explicações: apenas acolhem sem julgamento e oferecem o apreço ...