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TRINTA ANOS - Chico

Reginaldo Bessa assim escreveu a respeito de tema tão recorrente
(e estava certo):

“O tempo não para no porto,
não apita na curva, não espera ninguém.”


TRINTA ANOS


Não tenho mais trinta anos,
- há quem os tenha -
As coisas ao redor ainda
Persistem vibrando mistérios,
Mas as luzes incidentais já independem
Das inúteis sensações de absoluto
E as inquietudes passaram a obedecer
Critérios de expectativa controlada.

Não tenho mais trinta anos
Nem projetos inconfessáveis,
Ou, ainda, aspirações cifradas:
Os tênues vestígios de amplitude
Sugerem a continuidade da devoção;
Na harmonia dos campos de cultivo
Pétalas, cores, nuances e cursos
Disseminam murmúrios de paz.

Não tenho mais trinta anos,
Apenas posso admirar quem os tenha,
Observá-los em suas reticências,
Permitindo que me ensinem emoções
Na espontaneidade do que se faz singelo,
Cuidando dos vocábulos e dos sons,
Mas sentindo, no início da tarde,
A voz da vida me convocar à liberdade.


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