Pular para o conteúdo principal

PASSAGEM E PERMANÊNCIA - Chico


De um lado se encontram aqueles que vivem inquietos, se multiplicam em chegadas e partidas, deixando a impressão de estar apenas de passagem por onde quer que transitem em sua caminhada.
De outro, há os que transparecem permanente serenidade.
Mesmo sabendo que a vida não se submete a regras ou imposições, ainda é possível esperar que seja alcançado o equilíbrio na convivência entre os dois lados. Talvez a isto se possa dar o nome de paz.

PASSAGEM E PERMANÊNCIA

Há sinais de inquietude por toda parte,
Nos ritos das chegadas e das partidas,
Nas portas das casas, nas ruas, nas praças
E nos teatros de qualquer espécie.

Tantos passam, sabendo ou sem saber,
Pelos ritos, pelas portas, pelas ruas:
Os tortos, os sumidos, os antigos,
Os moços, os menos moços, os entediados,
Os enrubescidos, os agoniados, os nus,
Os de sempre, os que se envolvem,
Os que vão, os que voltam, os vestidos,
Os tolos e os que se fazem de tolos,
Os ladrões, os justos, os estarrecidos,
Os que nada veem, os que julgam,
Os que esperam, os que pensam ser felizes.

Tantos passam. Quanto aos que permanecem
Estes são mais raros, mais ponderados, mais sutis:
Seu silêncio pode até torná-los imperceptíveis
Mas a vida não é possível sem a sua presença.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OLHARES

  OLHARES Olhares são flechas precisas que atravessam distâncias, elucidam segredos e estabelecem conexões. Podem revelar afeto, inquietude, admiração. É no cruzar de olhares que muitas histórias começam e emoções florescem: olhar é mais do que observar; é perceber, compreender e sentir. Olhares requerem reciprocidade para se tornarem poemas de vida.   Olhares que acolhem são espelhos do infinito que habita A singeleza de momentos que palavras não descrevem; Olhares que abrigam a doçura de confissões já declaradas São gestos que transformam dias comuns em celebrações. Olhares generosos enxergam além da superfície, E elaboram pontes substituindo abismos. Olhares generosos são rios que fluem sem cessar, Envolvem o mundo, prontos a entender o que é invisível, E a vivenciar o que se exprime na simplicidade de um gesto.   Olhares generosos não julgam, mas compreendem com a alma, São como a ternura silenciosa que se concede, sem pedir nada em troca.

O QUE CABE NUM ABRAÇO

  O QUE CABE NUM ABRAÇO? Em tempos festivos, como os vivenciados nos finais de ano, buscamos gestos que expressem mais do que palavras. O abraço é um desse gestos. Embora simples, carrega uma complexidade emocional desafiando explicações racionais. Um abraço pode ser saudação, despedida, sensação de pertencimento, consolo, celebração — ou tudo isso ao mesmo tempo. Cabe num abraço o reencontro depois da longa espera. Cabe o perdão ainda não verbalizado, mas que já encontrou em nós permanente abrigo. Cabe o silêncio emocionado de dois corações que não necessitam de palavras para se entender. Cabe a alegria espontânea, o choro contido, a saudade que passa pela resignação e, sublimada, se acomoda. Há abraços que curam, dizendo “estou aqui” quando o mundo se mostra distante aos olhares exaustos. Há abraços que sustentam as esperanças quando a alma parece se esconder em seus medos e apreensões. Há abraços que não pedem explicações: apenas acolhem sem julgamento e oferecem o apreço ...

DIAS NUBLADOS TAMBÉM REVELAM SEUS ENCANTOS

  Dias nublados também revelam seus encantos A saudação ao novo dia costuma vir com o sol. Mas há manhãs em que o céu se mostra encoberto e a luz se espalha tímida, quase resignada. O tempo parece suspenso entre o silêncio e a espera. Muitos associam esses momentos à melancolia. No entanto, os dias nublados possuem uma beleza discreta, que se comunica em sussurros. São convites ao recolhimento: a pressa desacelera, a inquietação se dissolve, e o olhar se volta para dentro. Como plantas que florescem à sombra, a introspecção ganha espaço. O céu encoberto ensina que nem tudo precisa ser claro para ser compreendido. Há poesia nas nuances da neblina. E há muitos aspectos que o sol esconde: o verde das árvores se aprofunda, o cheiro da terra se intensifica. O orvalho cumpre suas promessas de renovação, pausa e abrigo. Na vida, também se vivenciam dias nublados — momentos em que o ânimo se esconde atrás de nuvens internas e os caminhos parecem incertos. Mas, permanecem no ar os v...